quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Saneamento básico e Qualidade de vida: a contribuição da educação ambiental


Os processos de urbanização e de industrialização, entre outros, têm produzido, comumente, efeitos muitas vezes traumáticos, na biosfera. É comum, hoje, a contaminação de rios e córregos, a poluição da atmosférica, a devastação de florestas, a caça indiscriminada e a destruição de habitats faunísticos, e muitas outras agressões ao ambiente. Além do meio, porém, o homem tem sofrido com a destruição contínua da natureza, tendo seu patrimônio cultural, sua saúde e seu bem-estar geral constantemente afetado negativamente e, em alguns casos, de forma irremediável.
A Organização Mundial da Saúde – OMS, que define saúde como “o estado de completo bem-estar físico, mental, social e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades”, expressa de forma inequívoca, que o homem, para ter saúde, precisa dispor de um ambiente que lhe proporcione um estado de completa satisfação, onde se incluem as condições de alimentação, habitação, saneamento, recreação e prevenção de doenças.
De fato, se observa com facilidade que em locais onde são adequadas as condições de habitação, nutrição, saneamento, entre outras, a incidência de doenças transmissíveis é muito pequena, ocorrendo o contrário quando as mesmas são precárias ou inexistentes, o que possibilita a elevação dos índices de mortalidade, mortalidade infantil, morbidade, entre outros. Saúde pode ser assim, associada à qualidade de vida, a qual, por sua vez, está ligada aos aspectos econômicos, sociais e ambientais.
Com o crescimento da população e, principalmente, com sua concentração em grandes aglomerados urbanos, o saneamento passou a ter aumentadas suas atividades que, das iniciais preocupações em garantir água de boa qualidade e proporcionar adequado destino para os dejetos (abastecimento de água e esgoto sanitário), passou a se preocupar com a grande quantidade de resíduos sólidos, com o escoamento de águas pluviais, com os resíduos gasosos e com a emissão de ruídos, entre outros.
As atividades do saneamento hoje podem, hoje, ser assim enumeradas, entre outras: abastecimento de água; coleta, tratamento e destino final dos resíduos líquidos (esgotos); acondicionamento, coleta, transporte e tratamento/destino final dos resíduos sólidos (lixo); frenagem das águas pluviais; controle da poluição ambiental (do solo, da água, do ar, sonora, entre outras); controle de insetos e roedores; saneamento dos alimentos; saneamento dos locais de trabalho, de recreação e saneamento aplicado ao planejamento territorial.
Neste ponto, é possível se verificar a conexão clara entre o nível da qualidade de vida que uma comunidade experimenta e, entre outros, o saneamento com que é atendida, sendo este, de acordo com a OMS, “o conjunto de medidas visando a preservar ou modificar as condições do meio ambiente, com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde.” É também, “ o conjunto de medidas visando a preservar ou modificar as condições do meio ambiente, com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde”. O saneamento tem, portanto, um caráter preventivo, no sentido que objetiva proporcionar ao homem um ambiente que lhe garanta as condições adequadas para a boa qualidade de vida.
Nesse aspecto, as ações preventivas que devem ser adotadas, objetivando evitar o surgimento de problemas ambientais, tanto na área urbana como rural, devem integrar atividades como educação ambiental (para que assegure maior sustentabilidade e eficiência junto aos atores alvo do processo), planejamento territorial e instituições diversas, de forma que mais facilmente alcancem seus objetivos. É oportuno ressaltar que o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA estabelece como de especial destaque, dentre os instrumentos de intervenção nos municípios, com vistas à melhoria da qualidade de vida, as relações entre as áreas de meio ambiente e de educação.
Realmente, as ações de educação, notadamente em sua conotação ambiental, são fundamentais na formação de cidadãos dispostos a participar ativamente de iniciativas e atividades direcionadas à construção de sociedades sustentáveis. Para que isso ocorra, torna-se necessário promover uma ampla mudança da percepção que comumente se tem sobre educação ambiental que, comumente, é configurada pela prescrição do que fazer ou não fazer pelo meio ambiente, circunscrita a eventos específicos em escolas (como semana de meio ambiente, dia da árvore, etc.) e caracterizada por práticas pontuais como coleta de lixo na beira dos córregos, distribuição de mudas, entre outras.
A construção de um novo senso comum relativo à educação ambiental pretende aproximá-la do cotidiano das pessoas, dos coletivos, da necessidade de transformar as relações sociais e os mecanismos degradadores das condições socioambientais, visto ser essa educação “um processo contínuo no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência de seu ambiente e adquirem o conhecimento, os valores, as habilidades, as experiências e a determinação que os tornem aptos a agir – individual e coletivamente – e resolver os problemas ambientais presentes e futuros”.
Programas de educação ambiental devem ser integrados às atividades de conservação da biodiversidade, de zoneamento ambiental, de licenciamento e revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, de gerenciamento de resíduos sólidos, de gestão de recursos hídricos, de manejo sustentável de recursos ambientais, de ecoturismo e de melhoria da qualidade de vida, entre inúmeras outras oportunidades do cotidiano humano.
O estabelecimento de programas de educação ambiental, por parte de instituições e empresas, para atacar problemas relativos ao saneamento, no seio de comunidades nas quais atuam, como, por exemplo, o dos resíduos sólidos, pode enfatizar a ação individual no combate ao consumismo e ao desperdício (Reduzir, Reutilizar e Reciclar – 3R), dessa forma contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental dessas comunidades, de maneira eficiente e sustentável. Isso decorre do fato de a educação ambiental ser uma das formas de se levar, de modo consistente e dinâmico, o conhecimento sobre os recursos naturais, sobre as inter-relações do homem com a natureza e, sobre o contexto da qualidade de vida que as populações experimentam, potencializando assim, a mudança de comportamento dos indivíduos e das comunidades.

Prof. Paulo Eremita da Silva
Doutor em Ciências Agrárias
Licenciado em Filosofia
ICA/UFRA
paulo.eremita@ufra.edu.br


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